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21 julho 2016

CONCURSO DE POESIA



Quero compartilhar com vocês que acompanham O Casulo, a alegria de ter participado da coletânea do II Concurso de Poesia de Feira de Santana com o poema " O que faz sombra no peito" e usando o pseudônimo Emily García. É sempre bom sentir reconhecimento por nossas criações/ arte. Ainda pude tietar grandes poetas e escritores feirenses como Roberval Pereyer, Antonio Brasileiro e Lélia Fernandes.
Minha tia, Lelia Fernandes e eu

Roberval Pereyer, Antonio Brasileiro e Eu
Parabéns à prefeitura de Feira de Santana pelo incentivo a esse projeto, pelo espaço cedido para que os artistas da cidade se mostrem. Parabéns ao Museu de Arte Contemporânea (MAC) pelo estímulo a produção cultural. 
👏🏽
Eu realmente acredito na poesia, acredito na arte como resgatadora do nosso Eu verdadeiro, do nosso melhor, como alimento para alma, embelezamento da vida, mesmo com todo o caos que possa haver.

Muuito obrigada à todos vocês que compartilham comigo nesse processo de metamorfose. 
Grande beijo Beijoooo

19 abril 2014

Força de leão!

Eu e o dente-de-leão


Já reparou como nossa vida parece um dente-de-leão? A sua forma é tão delicada que num suave sopro e suas agulhadas pétalas dançam pelo ar espalhando-se por aí, em solitude.
Reparou na efemeridade da vida? Há de ser, então! Segue a sua própria natureza. Sinta. Pinta seu caminho, aprecia o percurso. Não é o fim que interessa, é o meio, o trajeto. 
Não adie a vida. Viver é correr riscos, não há o que se perder (porque a vida passa e vai, assim, num sopro). Viver é um desafio e guarda consigo um mistério que imprime nela uma beleza infindável (porque a ela pode ser dada tantas formas e tantas cores inimagináveis), que é um desperdício não aproveitar a oportunidade de se (re)inventar. 
Reparou na beleza da liberdade? A liberdade é uma glória. É um valor supremo. É um permitir a si mesmo e ao outro de SER. Daí a necessidade de saber usá-la bem, para que o ser livre não se torne uma prisão, mas um instrumento de felicidade. 
E ainda que a gente se engane com as pétalas espalhadas, quando tudo parece desfeito, as sementes do dente-de-leão se jogam rumo ao momento oportuno para florescerem novamente. 
Todo dia é um dia possível de usar novas cores e formas na pintura da vida. E de se ter esperança!

23 agosto 2012

Conto frio número 01 - A SAUCERFUL OF SECRETS

Antes de iniciar a leitura do texto aperte o play do vídeo.



Olhou-se no espelho. Os grandes olhos eram toda si. Eram só eles o que refletiam naquele pequeno objeto. Mas bastava. Bem verdade que não se reconhecia. Que vontade de estar longe dali. Daquele quarto. Daquela casa. Daquela cidade. Seu corpo pedia a solidão.  Sua alma sempre esteve só. Os olhos grandes ardiam, como que furiosos, diante às lágrimas que insistiam em saltar enquanto tentava as engolir.
- O que você quer? Perguntava insistentemente.
- O que você quer? Repetia.
Não conseguia resposta. Muito menos consolo. O peito abafava qualquer bom sentimento. O que era isso? Sentia–se fria. O corpo frio e pálido. A alma gélida. O inverno ajudava. Não tinha por si qualquer bom sentimento. Era o mínimo que se esperava. Mas nem isso. Olhava-se com uma vontade de adeus àquela figura que inventaram. Ela era uma mentira. Sinto muito, nada me comove mais tanto, agora. Digo agora, este minuto que conta o ponteiro do relógio.
Secou as lágrimas grossas, acumuladas e desaguadas naquele silêncio íntimo. De nada valiam. No ambiente tocava a Saucerful of Secrets de Pink Floyd. Um disco de segredos. Sugestivo não? Talvez, pra quem tivesse algo pra contar. Ela era oca. Ou louca? Porque não? Um tanto mais de graça desperta a loucura. E não interessa explicar. Entenda por si. Já reparou como as pessoas explicam demais, falam demais, discutem demais, justificam demais. Uma eterna mania de entender de tudo. Cada um com sua verdade, sua ou não, mas com a verdade. Tudo isso a entendiava. As pessoas a entendiavam. Ela sorria com o canto dos lábios ao pensar nisso. Um sorriso quase sarcástico. Quase, mas não chegava a o ser. Seu sorriso estava para além disso.
Seu estado de contemplação diante da vida estava comprometido. Houve um tempo, não tão longínquo, isso era o que mais te dava prazer. Logo ela. Mas o que mesmo havia para contemplar? Sentia-se velha. Fechou os olhos. A música te palpitava memórias do que nunca existiu. Pouco importa. Estava cansada.