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14 março 2019

A Caminhada

Porta em Valparaíso, Chile retirada do Pinterest







Por trás da arte de qualquer parte
Há sempre uma porta a abrir.
Cada canto das gavetas 
Presentes memórias 
E o corpo a se expandir.
Não há fachadas.

Viagem de fora p´ra dentro:
- contemplação.
Viagem de dentro p´ra fora:
- consciência.
Eu no mundo
O mundo em mim.
O Todo no Uno
E o coração de morada
No atravessar de uma calçada. 






08 janeiro 2018

Balzaquiana


Se escancaro meus medos
enfraqueço meu ego
afago meu eu

ácidas
removo as camadas
o corpo despido
é pequena morte
sempre templo da alma
da consciência eterna
de ontem e além.

fragilmente me revelo forte
com um pouco de sorte
sim, tudo fica bem.

17 novembro 2017

Bem-vindo

pinterest



Há um verbo sempre latente no vão da alma
É que
Ser
sábio e solitário
É a dança do universo
Oras, o mais sempre encontra espaço no vazio
Que desperdício seria
Ocupá-lo de medo.

Piegas, às cegas, escorre paixão
Senso de humor em plena vazão
Rédeas frouxas
Mar de amor
É que p'ra felicidade, meu bem,
Não é preciso razão:
Portas sempre abertas.

09 novembro 2017

Higher self n°1


"Daylight Raid from My Studio Window, July 7, 1917" 1917 by Sir John Lavery


Portas e janelas abrindo espaço
Pouco passo
E o tempo infinito.
Olhos vidrados na luz
Sentimentos abundantes
Mas quase sempre
Tudo por um triz.
Lentes por todos os lados
Maquinários, cegos, despertos
Ainda, o coração de aço.
Rosto jovem
Rosto velho
E nas costas, 

a eternidade de bagagem
P'ra qualquer um
.

31 outubro 2017

Mujeres son brujas (aunque no sepan)

En toda mujer vive una bruja
Aunque callada
Hay una bruja dentro de si.
Una fuerza creadora natural 
Capaz de mover montañas
Juntar a la gente,
Generar,
Cuidar y preservar.


En toda mujer despierta
Hay una bruja que habla 
Habla de dentro para fuera
Conoce sus dolores y las curan
'Es vieja mientras joven.'
Habita una bruja que es la propia naturaleza
Mantiene los pies en la tierra
Y el alma conectada al sagrado.

Vive una bruja que sangra 
Según la luna 
y su danza en el cielo.
Sigue el flujo de la vida
Bailando al propio ritmo y movimiento
Haciendo de su cuerpo su templo.

Es bella, libre
Salvaje, sábia
Y aunque vieja permanece,
Por todo siempre, joven
- En la vida o la historia.

pinterest

12 setembro 2017

O que faz sombra no peito

O que faz sombra no peito
De modos e certezas incertas
Tanto mal ditas quanto malditas
Faz do amor o mais doce fel.
Faz do tempo que não se espera
Dos castos desejos
E da boca que se esmera no beijo mais fiel
Da paixão quente como brasa e tão mais
Que é malícia e arredia como qualquer se perder
O enlace imperfeito perfeitamente desfeito
De qualquer coisa que é simplesmente qualquer 
como tudo o que se é
Ignóbil tanto quanto a euforia de uma embriaguez desmedida e cumprida
Que atira ao lúmen e arrasta à lama.





O que faz sombra no peito
Faz jorrar as palavras
Que nutrem a alma
E aliviam em calma
O que é parte de si desgastada
O anunciar da alegria
Da parte que se vive
E transborda o que não cabe
E que precisa ser tolhida
Senão morre,
Senão mata. 





02 setembro 2017

Ponto de vista


Há caminhos que fazem voltar
Que fazem subir
Questão de ponto de vista.

Há caminhos que parecem uma chave
Ora parecem fechar, ora parecem abrir
Questão de ponto de vista.

Há caminhos labirintos
Viagem que é ida e é volta
Luz diante da sombra
Mas sempre a mais profícua
Aquela p'ra dentro de si
Questão de ponto de vista.




Autoral/arquivo pessoal @elenporai


17 junho 2017

Surrealismo

Eu 

Ayer, mi cuerpo que era parte

Mañana se convirtió en arte.
Rojo que te quiero rojo
Boca cerrada
Y suelo ardiente. 


Fuego, que te veo solo
Celos, que te miro lejos
Miedo, pues te vas temprano
Adiós, como el amor de verano. 


Soledad bendita
Olor de brisa
Un café manchado 
Y el cielo marcado de gris.


Mañana es tarde.

15 março 2017

PASSIFLORA

Flor de maracujá, autoral


Ao passo que se aflora,
Passiflora
Aflora paixão.

Enrosca beleza,
Desperta meu coração.


Escondida no suspiro das lentes
Guardando o mesmo elogio que se dá
Pr'a aquela que é tão bela e charmosa
quanto a flor do maracujá. 

15 maio 2016

Jasmim

Jasmim - Foto: arquivo pessoal





<A flor real em dois pontos de vista. Arte imitando a vida. A vida fazendo arte.>








A flor que jaz
traz a cor e
perfumada paz
do simples ser.


Belo jasmim,

De mim, faz,
seu bem-querer. 














06 maio 2016

Roda-gigante







Nos velhos tempos,
a gente dava uma volta 
em voltas gigantes,
adocicando as palavras
na imaginação.

Eram para ser as melhores
memórias, aquelas,
de quando dadas fossem, 
as mãos.




01 março 2016

Corpo poético

autorretrato: corpo poético

No mesmo arco do silêncio

Sem sombra de dúvidas

Há claras certezas. 


Segue a linha infinda
Al borde de sus ojos
As estradas tortas
dos caminhos vários.
As rédeas, há de segurar.


Anda!
Dá as caras imprecisão
Segue sendo
Corpo frágil
Vendaval furacão
Só há um eu
E é o mesmo
No mesmo arco do silêncio.



17 janeiro 2016

Tiempo: un beso de Judas

 Dolor es desear que vuelva el tiempo 
Que salga el sol fuerte 
Cuando toda si es temporal
Todo llanto es lluvia 
y toda alma esta sucia.

Duele pensar que los caminos siguen paralelos
Los planes se quedaron rotos 
en las márgenes del tiempo
y de las pocas palabras
revueltas en el papel.

Duele más aún no poder volver
lo que se era ayer
lo que podría ser mañana tal vez.
Ya no se sabe más lo que se es
ni lo que se quiere 
de este cuerpo, de estos pies.

La verdad es un vaso de veneno
La mentira es tan dulce 
Esconde las reales faces del miedo
que ronda nuestra carne
hecho lobo hambriento.
Se puede pensar ser más fácil seguir así,
Pero no.

Duele duele duele
El futuro que llega sin vivir el presente
Llega la noche y todo se siente,
Una lanza en el pecho,
El beso de Judas
Este tiempo sin pena.

Mira, no hay nadie al lado
Mismo cuando lleno alrededor
No hay  nada por dentro
Y tan poca gana de llenarse

Duele duele
Tantos ruidos fuera
Ningún silencio donado
Solo queda, la soledad de siempre. 



09 agosto 2015

DesenCanto



Eu queria fazer uma canção alegre
Falar das cores vistas e mesmo das tristes
Mas mesmo assim seria alegre
Porque contaria de  uma descoberta
Tão íntima.
Eu queria fazer uma canção alegre
Que contasse dos heróis de guerras
Das velhas ruínas de uma terra
Dos amores que guardaram história.
Eu queria fazer uma canção alegre
Que trouxesse cor onde só tem cinza.
Eu queria fazer uma canção alegre
Aonde todo silêncio fosse rima
E cada grito fosse canto.
Eu queria fazer uma canção alegre
Para que a palavra não dita
Fosse a singeleza de um olhar
Ou quiça de um breve sorriso
Eu queria fazer uma canção alegre
Pra permitir o abraço
Preservar os laços
Pra dizer que é tempo de cuidar.
O meu canto agora é triste
Mas há vontade de acertar.

28 julho 2015

Desassossego

Aperte o play e paciência:

Mar a mar, 
Revolto mar
De um mas a mais
- Tão mal.
Bem mais,
Que as más reviravoltas 
Dos caminhos,
Dos nossos caminhos:
<Ora se cruzam
Ora em desalinho>

Sossega coração!
Hoje é hoje
Amanhã pode nem chegar.
Se achar que é cedo venha para o chá das cinco.
Sei que a noite tem lá seus insones medos,
Alma escancarada
Cheia de qualquer razão.
É que o tempo não dorme
E estranhamente, parece nem ter passado
Quando se olha p'ra dentro.



17 maio 2015

Procura-se o ponto.

Imagem: Pinterest


Em qual pedaço da história 
                          ficou o ponto final?
As suas memórias confluem com a minha
Tal qual o rio ao encontro do mar?

Eu infinito
E o céu mais bonito
Nublado de tanto pensar:
Que era amor o não dito.
E a espera solitária
Pelo sim, pelo querer em ficar.

Era amor de olhos vendados
                        e boca cerrada.
O coração apertado
por não contemplar.

Aonde ficou o ponto da história
Que volta e meia o coração procura 
E os frágeis versos tenta explicar?



09 maio 2015

Mais vale o pão ou minha mão?

Maria a preservar o amor, por Elen Alcântara

Na fila do pão
Moedas à mão, contadas Mais vale o pão ou minha mão? Talvez mais essas moedas. Não há amor por aqui. Poderia haver. O passo apressado diário é a companhia Nesse ir e vir sem garantias Talvez eu vá. Talvez não volte. Fecham-se as portas e janelas Do mesmo modo, o coração. Não há espera. O amor não passa por aqui. Poderia passar. Subiu a luz; o barranco desabou Nem dinheiro, nem dignidade sobram O choro quando vem 
desagua num resto de fé. - O que você tem? Perguntam. - Coragem - O que você tem? Insistem. - Verdade - O que você tem? Perguntam e não olham, perguntam e não sentem. - Não tem - é o que dizem. O ser monetizado! Agora entendi. Não vale amor por aqui. Poderia valer. Segue, curte, troca likes Papo nas nuvens, juízo no pé Nem prosa, nem verso Uma Vênus sequer. Fingir é a arte Tanto faz, faz parte Não se sente amor por aqui. Poderia sentir. De todos os lados, apontadas armas E Almas roubadas de Vivos-mortos sem saber existir.
Mentes aprisionadas, Que livres, mentem E violam corpos Fodem, assim, vulgarmente. Não se faz amor por aqui. Poderia fazer. Da fila do pão A esperança sussurra: -Paciência. Ainda há amor por aqui. Então sorrio e sossego. Mais vale, minha mão.


Aperte o play para ouvi-lo: 





14 março 2015

A poesia e eu


A gente se ama já faz um tempo
Tempo que não conta nos dedos
Nem no pensamento.
Não fazemos promessas
Nem trocamos falsas juras
Sequer há espaço para fingir
Qualquer máscara cai diante de nós.
Vem, despe minha alma
E meu corpo é tocado a cada povir.
Se me descontrolo e digo adeus,
Não chora.
Para. Me olha. E diz:
-  Não te nego a partida,
mas não há jeito outro:
Estarei sempre por aqui.
Pega minha mão e nunca se vai.
Nosso amor é infindo
A gente se funde
Pra ser um só.
Nunca estou só. Sem nós.
Somos todos
Somos tudo ao mesmo tempo
Sim, já faz um tempo.




Imagem: Pinterest

30 janeiro 2015

De que é feita a saudade?

De que é feita a saudade
Que não traz rimas ao papel?
Saúde, aqueles que brindam
Saúdam-se aqueles que amam
Que a saudade tem vida própria
E a alma transborda de si.
Ora a saudade é doce
Ora a saudade é fel.
Ora dá-lhe sonhos
Ora faz-se nós
Meia volta faz do corpo uma parte
Volta e meia deixa só.


De que é feita a saudade
Que te escancara a verdade
E faz do tempo maldade?
Ora a saudade é doce
Ora a saudade é fel
De que é feita a saudade
Que não traz rimas ao papel?
Faz do mar aventura
E do céu pensamento
Da esperança coragem
E do amor envergadura.


Saudade é parte deixada
Ou a parte que se perdeu
Faz da vontade presságio
Que é presença desejada
Da raíz fincada 

no mais bonito seu.
Ora a saudade é doce
Ora a saudade é fel
De que é feita a saudade
Que não traz rimas ao papel?




Imagem: Pinterest