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19 maio 2014

Jogar (-se)

Maria ao precipício - Elen Alcântara

O amor tem regras? 
Deveria mesmo ser tomado como um jogo?
Em que você lança as cartas daí, eu daqui. 
E que vença o melhor ou não ganhe ninguém? 
Porque jogo é jogo e as regras devem ser cumpridas.
Ou será que não?
Seria o amor, na verdade, um esporte radical?
Como saltar de paraquedas ou voar de asa deltas?
Que diante do frio na barriga se joga e do mais alto,

Mesmo com medo,,
Porque o que vale é a adrenalina
Confirmando que você está vivo?
Ou o amor é como andar de bicicleta com rodinhas?
Cômodo e não exigindo muitos desafios.
Ou não passaria de um mito?
Amor não existe,
Que aquele arrepio que sobe pela espinha,
As borboletas no estômago
E todo o silêncio diante do incerto
Não passa de tola fantasia!
Vai saber...
Talvez seja o amor, um arroubo poético,
Tão doce e indefinido
Que se desenha por sua própria intenção
E pela beleza do se lançar às nuvens,
do alto de um precipício,
Sem qualquer corda presa
Desejando BOA SORTE!

19 abril 2012

Desarranjo




A menina conta pedaços de si
Como se contasse conchinhas na areia da praia
Avistando aquela imensidão e sentindo parte de tudo aquilo
Como se fosse uma daquelas conchinhas diante do mundo.

Conta pedaços de si
Como se contasse as estrelas no céu
Com os olhos brilhosos
De quem acredita ser uma daquelas, sua estrela
Pensando na dimensão de sua distância
E do seu alcance com o apontar de um dedo.
Os olhos piscam,
A estrela talvez não esteja mais lá amanhã.

A menina conta pedaços de si
Como se contasse o bem-me-quer de uma flor
Pétala à pétala, sentindo escorrer entre os dedos
Aquilo que antes fora beleza somente
E o exalar de um perfume brevemente sentido.
Os pedaços de si se distraem e misturam
Tanto quanto o perder-se num abraço de dois corpos.

A menina conta pedaços de si
Como contasse o mais belo poema
Palavra a palavra delicadamente cantada.

A menina recolhe os pedaços
Como a restaurar uma casa
Parte por parte, cômodo por cômodo,
O teto.

Alguns pedaços não conseguem ser recolhidos
O vento soprou
Outras caíram e quebraram-se
Algumas diluíram-se pela chuva
Outras que são tão pesadas que não consegue sustentar 
por suas próprias mãos
E se está só.

A menina junta os pedaços de si
E sorri no seu desarranjo.


Imagem: google

10 julho 2011

Marionete


- Sou Marionete
Criatura sem descendência ou ascendência 
Que por sorte (ou azar) vingou,
Que vingou a própria sorte.
 
- Cadê a mãe? Quem é o pai?
- No tempo se perdeu. Ou dela se esqueceu.

- Foi barriga de aluguel?
- Não.
Foi barriga mal paga, apertada, castrada.
É filha de luz! Filha de Deus!

Criatura não vive: é coisa levada.
Sonha as coisas do mundo, as flores do mundo, as cores do mundo.
Tem a vida em preto e branco.
Não quebrou correntes,
Não plantou sementes.

- Sou Marionete
Boneco de vida vazia.

- Criatura filha de luz, filha de Deus!
Pensou que ia herdar o mundo, as flores, as cores.
É filha ilegítima.
Restaram-lhe milagres, lágrimas secas, pobres versos.
Criatura sonha.


- Poesia não salva, bem verdade, mas socorre!  

                                                                     
Imagem: Pinterest

20 junho 2011

Céu



Pergunta o menino:
- Onde foram as borboletas?

- Repousar numa flor,
Bailar no céu,
Ao encontro do vento.
Que amor é o vento e sopra a favor,
Responde a menina.
E convida a velejar.

Ajeita as velas,
Que a vida navega
Em mar revoltoso
Ou MAResia.

Aproveita,
Amor é o vento
E sopra a favor.

E uma inesperada ventania os envolve.
E alcançam o céu que só a boca conhece.

E o vento os leva
E a vida navega.

Aproveita,
Amor é o vento
E sopra a favor!



Imagem: colagem artesanal da autora do blog

15 abril 2010

Meios


Em meio, 
as obrigações, responsabilidades e compromissos, as permissões e as ordens de todos os dias e tipos. Os mandamentos, as leis, as normas e a moral.
Em meio, 
o trabalho, o ir e o vir forçado, a lucidez e a força. Os modelos, padrões, o esperado, o pronto e completo.
Em meio, 
o que se espera, a política e o trânsito, a moda, a beleza, o instantâneo e o absoluto.

Simon Siwak

Em meio, 
a dor e amargura, o preconceito, a embriaguez e a solidão. As fórmulas e receitas, o tempo passado, o futuro planejado, a monotonia.
Anseiam os fatos e objetos tangíveis.
Estou em meio. Sou a margem.